Uma pesquisa, encomendada pela BBC Brasil, feita pela Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), revela que, no ano passado, 2.818 unidades residenciais de menos de 35m² foram lançadas na cidade de São Paulo. Isso representa um aumento de mais de 16 vezes em relação a 2008, ano em que esses lançamentos totalizaram 169 unidades.

Para Paulo Pompéia, diretor da Embraesp, a alta no número de lançamentos de apartamentos pequenos no mercado imobiliário pode ser explicada por mudanças sociais e econômicas. Por exemplo, Pompéia cita a redução do tamanho das famílias brasileiras e o aumento do número de solteiros, além do envelhecimento da população, que faz crescer a quantidade de idosos morando sozinhos. Outro fator essencial que justifica a tendência de áreas residenciais cada vez menores é o econômico: os preços dos terrenos estão cada vez mais caros nas cidades, principalmente para quem quer morar em grandes centros.

Mas, será que os microapartamentos são o futuro das residências urbanas? Qual o limite para a redução dos espaços das moradias?

Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, acredita que o futuro das residências nas grandes metrópoles é o microapartamento. Bloomberg deixa claro seu posicionamento, aprovando a execução de um projeto piloto de cubículos habitáveis, abrindo assim, exceção a uma lei que desde 1987 proíbe moradias com menos de 37m² na cidade. O projeto propõe a construção no bairro Kips Bay, Manhattan, de apartamentos para aluguel com área entre 26 e 28 metros quadrados, com cozinha e banheiro.

Porém, nem todos compartilham a mesma visão de Bloomberg. Nos EUA, por exemplo, diversos urbanistas se opuseram à iniciativa do prefeito, entre eles Richard Forida. Segundo o urbanista, a solução das moradias está na expansão horizontal das cidades e não no adensamento populacional em regiões centrais. Para viabilizar tal “alargamento” urbano, seriam necessários sistemas eficientes de transporte público que conectassem áreas mais afastadas às centrais, além de ofertas de emprego que viabilizassem o distanciamento do centro.

No Brasil, Paulo Fabrianni, vice-presidente da ADEMI (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário) do Rio de Janeiro acredita que as restrições de áreas mínimas para as moradias servem para controlar o adensamento populacional em determinadas áreas. Um adensamento descontrolado inviabiliza o próprio funcionamento do espaço público ao redor dessas moradias, como, por exemplo, o trânsito. Para Fabrianni, é possível que o limite de área mínima seja flexibilizado para algumas regiões, onde haja espaço para construir e que a densidade populacional ainda não seja grande.

Por Márcio H. Sena.

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