Foi notícia no Brasil e no mundo o desabamento do viaduto Batalha dos Guararapes em construção na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais no dia 3 de julho de 2014. Entretanto, para aqueles que apenas viram a notícia no telejornal ou se interessam por mais detalhes, há algumas peculiaridades a serem esclarecidas a respeito.

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Dias após o acidente, a construtora responsável pela execução da obra, baseada em parecer técnico de especialistas, afirmou que falhas no projeto causaram a ruína da estrutura. O parecer conclui que a ruptura foi provocada por uma “flexão e cisalhamento” (esforços que ocorrem nas estruturas de concreto). Mas o projeto não previu uma armadura de aço suficiente para suportar esses movimentos. O laudo explica ainda que, com a ruptura do bloco, as duas estacas centrais tiveram que aguentar a totalidade do peso da estrutura. Como elas não foram projetadas para isso, o pilar afundou com o bloco e as duas estacas próximas, resultado no desabamento do ramo sul do viaduto.

Em projeto, a capacidade de carga de cada estaca era de 250 tonelada-força, quando deveria ser de 467 tonelada-força, isso significa que as estacas deveriam ser mais profundas ou ter um diâmetro maior. Para esclarecer um pouco mais a respeito do processo de construção do viaduto, assista o vídeo abaixo:

Segundo o calculista que participou do laudo Catão Francisco Ribeiro o bloco foi dimensionado com um décimo do aço que deveria ter para equilibrar o peso do pilar e do viaduto sobre as estacas, como não tinha esse aço, o peso se acumulou sobre duas estacas que ficavam bem nas laterais do pilar. Para quantificar, a área de aço necessária para os esforços à flexão deveria ser de 685 cm², mas o projetado foi de 50,3 cm² e as áreas de aço necessárias para os esforços de cisalhamento e torção deveriam ser de 184,1 cm² e 10,2 cm², respectivamente, mas não foi considerado aço para os mesmos esforços.

Veja na animação a seguir como se deu a ruptura e queda do viaduto.

Considerando que a ruptura se deu na alça Sul do viaduto e que no projeto da alça Norte, já executada, constam os mesmo dados, o prefeito da cidade de Belo Horizonte, Marcio Lacerda prevê a demolição da obra e aguarda a liberação da polícia técnica.

Para os engenheiros e futuros engenheiros, cabe a lição: segurança e compromisso como profissional são itens indispensáveis quando o seu trabalho envolve a integridade das pessoas.

Bárbara Júlia de Souza Mota

Vitor Alexandre Moreira Terezio

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