Imagine administrar uma área de trabalho com mais de três janelas abertas em diferentes atividades; sair pra correr e reformular mentalmente todo o seu cronograma semanal; não ser capaz de assistir a mais de dois episódios seguidos; jantar com um amigo e enroscar-se nas palavras por lembrar-se das coisas que precisam ser feitas quando chegar em casa; abrir seu explorar do instagram e encontrá-lo recheado de posts sobre produtividade; trabalhar por oito horas durante o dia e mais 4 horas em casa.
O termo “workaholic” surgiu em 1971 com Wayne Oates e significa “viciado em trabalho”.
Quimicamente é verdade que a sensação de cumprir várias tarefas produz prazer e recompensa ao cérebro. Um ser humano cuja característica marcante seja a alta proatividade pode ser um provável workaholic. Muitos podem admirá-lo por sempre estar disponível para novas tarefas e por, muitas vezes, realizá-las com tamanha excelência, capricho e interesse. A problemática está nos impactos negativos resultantes da exaustão e do desagaste físico e emocional sofrido por ele. O workaholic adquire uma pressão interna e contínua por resultados, uma carga horária gigantesca, níveis elevados de estresse, problemas de relacionamentos e a constante insatisfação com sua “insuficiente” produtividade. Ele, geralmente, não é apto para gerenciar seu tempo, ou por mais que tenha um cronograma, ele não consegue segui-lo, sempre atropelando os planos e ocupando os espaços livres com qualquer incumbência.
A compulsão não está só ao trabalho profissional, pode ser também ligada às atividades domésticas ou aos estudos, a qual pode levar a uma vida pessoal e familiar à ruína. É comum ao final do dia o sentimento de vazio por não ter fortalecido suas relações com pessoas importantes e nem tempo para hobbies.
Ao ouvir pela primeira vez sobre esse tema, não só me identifiquei como também me senti na responsabilidade de agir com mais cautela comigo mesma. Percebi o quanto ser produtiva demais, me leva a produzir nada a longo prazo. Milhares de segundas-feiras acordei determinada a mudar e até organizei uma nova programação com uma divisão perfeita de horas. Falhei muito, mas foi.
Várias mudanças foram feitas que melhoraram minha relação com o tempo e a principal foi: me respeitar. É importante ter um equilíbrio e entender que não é bacana o exagero, que precisamos ter prazer no ócio também. Fuja da necessidade extrema de passar o tempo livre em algo que lhe ensine algo, como assistir a um documentário ou ler um livro relacionado ao trabalho. Permita-se fazer nada. Desfrute do presente, das pequenas coisas. Não se sinta obrigado a ser sempre produtivo e angustiado com as tarefas pendentes. Se você está bebendo água, beba água. Almoce, jante, alimente-se sem mexer no celular ou desviar-se em outras distrações. Não lote sua agenda em todos os minutos do seu dia e dilua as atividades durante a semana. Determine suas urgências. Faça exercícios, corra e ache alguém/algo que te faça rir. Dê valor a você mesmo, você não é o que oferece, você é quem você é. Encontre contentamento e valor na sua essência. Você consegue.
Espero, de coração, que este post te ajude a encarar sua realidade ou guie-o a ajudar alguém próximo. Nós, engenheiros, somos naturalmente muito racionais. Acalme seu interior e respire. Tenha consciência daquilo que realmente vale a pena gastar sua energia. Estamos juntos nessa.

Por Sarah Ishii.