“Construção: Conjunto de atividades necessárias para se construir algo”. Uma definição bem simples para algo que pode ser muito complexo.

Na engenharia aprendem-se conceitos de concepção, projeto, métodos, modelos, análises, execução, e diversos conhecimentos necessários para que uma construção possa oferecer segurança, conforto, estética, entre outros fatores.  Certamente existem construções que ganham notoriedade por sua grandiosidade. A seguir estão grandes obras construídas ao longo da história, obras que talvez tenham passado pela sua cabeça quando você leu o título desse texto.

Burj Khalifa

Atualmente, a estrutura mais alta do mundo. O Burj Khalifa possui 826 metros de altura, 160 andares, 49 elevadores, 330 mil metros cúbicos de concreto em sua estrutura ( equivalente a 132 piscinas olímpicas). Uma altura tão inimaginável que foi necessário o desenvolvimento e construção de uma bomba de concreto específica para realizar a concretagem dos pavimentos mais elevados do Burj. Com um custo total aproximado de 1,5 Bilhões de dólares, o Burj Khalifa está longe de ser a obra mais cara da história.

Pirâmide de Gizé

Falando em história. Existem obras milenares que intrigam por sua complexidade em um período sem recursos tecnológicos. Esse é o caso da Pirâmide de Gizé. Em 2015 a consultoria HomeAdvisor calculou quanto custaria a construção da pirâmide. Estima-se que foram 30 anos para execução da obra e dezenas de milhares de trabalhadores envolvidos. O valor apresentado pela consultoria foi de 2,7 bilhões de dólares.

Canal do Panamá

Essa obra gigantesca revolucionou o transporte marítimo ligando o Oceano Atlântico ao Pacífico por meio de um canal artificial construído com 77,1 km de extensão (hoje tem 82). Foram quase 10 anos para finalização da obra e um dado trágico de 5609 mortos oficiais (estima-se que foram mais de 27 mil, principalmente devido à malária e febre amarela). O custo atual dessa obra centenária é de aproximadamente 8,6 bilhões de dólares.

Eurotúnel

Com certeza um feito incrível da engenharia foi a criação de um túnel ferroviário ligando o norte da França com a Inglaterra com 50,5 quilômetros e passando entre 40 a 70 metros abaixo do nível do mar. Com 7 anos de construção, mais de 15 mil trabalhadores envolvidos, 15 empresas, e 5 bancos. O custo total aproximado do Eurotúnel foi de aproximadamente 16 Bilhões de dólares.

Aeroporto Internacional de Hong Kong

Para execução e funcionamento do maior aeroporto do mundo, foi necessário a construção de uma ilha artificial de 12 quilômetros quadrados (equivalente a 86 campos de futebol), duas pontes para ligação com o continente, um túnel, uma ferrovia e um complexo de rodovias. Essa é a maior estrutura coberta do mundo e é capaz de promover o tráfego de 87 milhões de pessoas por ano. O custo total dessa obra foi 21 bilhões de dólares.

Usina Hidrelétrica de Três Gargantas

Localizada no terceiro maior rio do mundo, a hidrelétrica de Três Gargantas é a maior do mundo em potência instalada. São mais de 180 metros acima do nível do mar, 2,2 quilômetros de extensão e um reservatório de 600 quilômetros. Sua construção contou com 40000 trabalhadores, 27,2 milhões de metros cúbicos de concreto, 463 mil toneladas de aço (equivalente a 63 torres Eiffel). Foram 19 anos de trabalho até a conclusão. O custo dessa obra foi de aproximadamente 28 bilhões de dólares.
Outro dado interessante. Nessa obra, esta instalado o maior elevador fluvial do mundo, que eleva navios de 3 mil toneladas a mais de 100 metros de altura. Possibilitando assim o tráfego marítimo pela estrutura.

A Grande Muralha da China

Apesar de o nome já dizer, é difícil mensurar a grandeza dessa estrutura. Foram quase dois mil anos para conclusão dessa obra. Estima-se que sua extensão real é de 21 mil quilômetros e que mais de 2 milhões de pessoas participaram da construção. Em 2017, a construtora britânica Travis Perkins calculou qual seria o preço para execução dessa obra na atualidade. O valor calculado foi aproximadamente 67 bilhões de dólares.

A Grande Questão

Qual é o limite?

A imagem acima é a vista que se tem a bordo da estrutura mais cara do mundo.

Estação Espacial Internacional

Em 1975, Estados Unidos e União Soviética começaram uma parceria histórica  e iniciaram os trabalhos a fim de por um laboratório espacial tripulado em orbita. Com o tempo mais países entraram no acordo.  A montagem dos 15 módulos dessa estrutura ocorreu entre 1998 e 2011 e contou com mais de 50 missões espaciais para finalização.

Sim ! Se você não passou desapercebido pela imagem acima, notou a presença BR no processo de  construção. Mas não foi bem assim… O Brasil entrou em acordo com a NASA para produzir o “Express Pallet” e, em troca, ter um astronauta brasileiro na estação e acesso a equipamentos norte-americanos. Marcos Cézar Pontes passou uma semana na estação, mas a parte brasileira do contrato não foi cumprida e o País saiu da lista dos países participantes da base original.

Bandeiras antes, e depois da saída do Brasil no consórcio.

A estação Espacial Internacional está a uma altitude de 400 quilômetros da superfície da Terra, pode ser vista a olho nu e viaja a 27700 km/, completando 15,7 órbitas por dia. Sua estrutura tem  400 toneladas e foi construída com uma liga de alumínio super leve e resistente para resistir às condições extremas do espaço. A energia é quase totalmente solar. Os paineis são ajustados continuamente para melhor aproveitamento da luz.

O custo para transportar algo à Estação é de aproximadamente 100 dolares por grama do material. Portanto, a tecnologia interna permite o reaproveitamento de 95% da água presente na urina e no suor dos tripulantes. O oxigênio presente na nave também depende da água e é obtido pela quebra das moleculas de hidrogênio e oxigênio.  

Para construção dessa grandiosidade foram investidos aproximadamente 150 Bilhões de dólares (100 “Burjs Khalifas”). Essa obra que hoje é utilizada para fins laboratoriais será utilizada futuramente como atracadouro para naves em missões espaciais. Esse futuro pode estar mais próximo do que você imagina… 

…Isso me remete à grande questão.

Por Vinicius Parolin