Por muito tempo as profissões das áreas de exatas foram vistas como uma área masculina e com poucos cargos ocupados por mulheres. Estima-se que apenas 13% dos profissionais de Engenharia em atuação no Brasil sejam do sexo feminino. E apesar de muitas discussões sobre igualdade de gênero, infelizmente ainda existe muitos desafios para as mulheres que atuam nessa área; sendo imprescindível ser falado sobre isso em busca de mudanças.

Os principais desafios enfrentados são:

  • Falta de reconhecimento;
  • Desigualdade salarial;
  • Menor quantidade de vagas em concursos públicos;
  • Assédio e desrespeito;
  • Machismo

Quantas vezes você já ouviu frases como “Isso não é profissão de mulher”, “Tinha que ser mulher, né?!” (quando acontece algo de errado) e “Lugar de mulher é na cozinha, não na obra”? Isso ainda é muito frequente e marcante nessa trajetória da engenheira mulher. Aqui estão alguns depoimentos de mulheres, tanto estudantes quanto profissionais atuantes, que enfrentaram/enfrentam situações como essas:

“Já trabalhei em obra que tinham homens que me tratavam como se eu fosse apenas a moça bonita sem conteúdo”

“Meus colegas de sala sempre debocham quando eu dou alguma opinião como quem fala ‘até parece que sabe o que está falando’ “

“Um dos chefes do turno oposto age com essa postura machista em relação as mulheres. Ele distribui as funções seletivamente pelo gênero. Assim como existem professores que agem dessa forma. Até mesmo fora de local de trabalho, em ambiente familiar existe bastante isso”

“Tenho muita insegurança e ainda não tive coragem de ir pra obra para estagiar”

“Meu irmão falou que eu vou perder 5 anos para ser mandada por pedreiro… na cabeça dele basta ser homem para ser mais qualificado tecnicamente”

[Comentários retirados da palestra “Engenheiras: Mulheres que fazem a diferença” com Leila Brito, realizada pela UNDB no projeto ENGENHARIA CRIATIVA EM TEMPOS DE CRISE]

Dentre todos os comentários/depoimentos feitos (dos quais foram citados acima apenas alguns dos muitos), é importante dar atenção à esse aqui: “Muitas das vezes temos que abrir mão dos sonhos justamente por situações assim”. Será? Deixar de lado os sonhos e objetivos? Ser vencida pelo medo? A resposta é não! Apesar de todos esses desafios ainda existentes, a cada dia que passa a mulher vem conquistando mais o seu espaço no mercado de trabalho da Engenharia. Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) mostra que o número de mulheres engenheiras foi de 13.772 em 2016 para 19.585 em 2018 – um crescimento de 42%.

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Dessa forma, com o intuito de inspiração para todas as mulheres que estão lendo essa matéria e de alguma forma se identificaram em situações citadas, segue algumas mulheres que começaram dando início à essa conquista de espaço e reconhecimento:

EDITH CLARKE (1883 – 1959)

Formada em engenharia elétrica

– Primeira mulher a ter um MIT

– Projetou a calculadora gráfica

 

ENEDINA ALVES MARQUES (1913 – 1981)

 – Primeira engenheira negra brasileira

– Primeira engenheira civil do Paraná

– Projetou a usina capivari-cachoeira (atual usina GOVERNADOR PEDRO PARIGOT DE SOUZA)

        APRILLE ERICSSON (1963)

– Engenheira mecânica e aeroespacial

– Primeira mulher negra a conquistar um PhD em engenharia na NASA

– Recebeu inúmeras honras, incluindo: Prêmio de Excelência em Alunos da Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Ciência da Computação da Howard University; Prêmio de Excelência Excepcional em Extensão da NASA e Medalha do Presidente da York College.

 

E por fim, para você que se interessou pelo assunto e quer continuar acompanhando esse crescimento da mulher na engenharia, uma matéria feita pela Engenharia 360 listou 7 Engenheiras Civis para seguir e se inspirar no Instagram (https://engenharia360.com/engenheiras-civis-seguir-no-instagram/).

 

Texto escrito por: Marinna Cunningham.

Arte feita por: João Cardoso.