Usina de CopenHill, em Copenhague, Dinamarca.
Fonte: https://architizer.com/blog/practice/details/bjarke-ingels-group-copenhill/

É muito intuitivo olhar para uma construção fabulosa dessa e pensar: “Certeza que essa construção é um hotel, uma empresa multinacional, um complexo esportivo ou uma universidade.” E se eu te contar que esse complexo pode ser algumas dessas opções e uma que duvido que você tenha pensado: uma usina de geração de energia a base de resíduos sólidos? A CopenHill, também conhecida como Amager Bakke, é uma usina de energia que funciona a base da incineração de lixo produzido na cidade de Copenhague, capital da Dinamarca. Todos os anos cerca de 440.000 toneladas são convertidas em energia elétrica (e limpa) que sustenta e aquece mais de 150.000 residências na capital dinamarquesa. Além disso, é considerada uma das construções mais sustentáveis da atualidade sendo o cartão de visita do país que busca tornar sua capital a primeira cidade neutra em carbono do mundo até 2025.

Uma usina de energia à base de resíduos sólidos funciona da seguinte maneira: o lixo recolhido é levado à usina de tratamento para começar a ser separado (orgânico e inorgânico) e secado. Depois de preparado, o lixo é levado aos incineradores através de uma esteira rolante e passa a ser queimado por um período entre uma e duas horas a uma temperatura que varia de 1800°C a 2000°C, incinerando cerca de 100 toneladas de lixo por hora. Um dos produtos desse processo são os gases como metano, propano, dióxido de carbono e vapor d’água que são pressurizados, canalizados e transportados até as turbinas da usina que através da rotação de seus geradores produzirá energia elétrica que será distribuída à população. Os outros produtos dessa queima (como cinzas e metais, por exemplo) serão utilizados como material reciclado e fonte de matéria prima para metalúrgicas e outras fábricas de insumos construtivos.

Pista de esqui na cobertura da usina. Foto de Rasmus Hjortshoj.
Fonte: https://www.archilovers.com/projects/257459/copenhill-amager-bakke.html

Além da usina de recuperação de energia, a CopenHill é famosa por possuir uma bela pista de esqui em grama sintética (a primeira pista de esqui da Dinamarca) em sua cobertura e a maior parede de escalada do mundo com seus 85 metros de altura. O projeto de mais de 41.000 m² inclui um centro de recreação urbano e um centro de educação ambiental para o conscientização da população quando o assunto é sustentabilidade, sendo também um local onde você pode se aventurar em seus 490 metros de trilha ecológica e passar um tempo em seu restaurante panorâmico ou se exercitando em sua academia a céu aberto. Através de chaminés que atingem 124 m de altura acima do solo são eliminados gases totalmente filtrados que não degradam o meio ambiente juntamente com uma grande quantidade de vapor d’água, dando um toque especial na prática de atividade dos amantes de esportes radicais e embelezando fotos e vídeos de moradores e turistas que passam o dia no xodó da capital dinamarquesa.

O projeto da Amager Bake é de autoria do renomado escritório de arquitetura contemporânea dinamarquês BIG (Bjarke Ingels Group) que possui seus empreendimentos à ecologia, sustentabilidade e contemporaneidade, sendo dono de obras conhecida como o novo World Trade Center (Nova York – EUA), a Lego House (Billund – Dinamarca) e o sede do Google no campus de North Bayshore (EUA). Seu projeto começou a ser idealizado em 2002 e sua construção durou cerca de 4 anos, sendo inaugurada no distrito industrial de Copenhague em 2017. A usina tem dimensões de 207 m de comprimento, 60 m de largura e uma altura máxima de 87 m, contendo uma fundação de aproximadamente 3.000 estacas pré-fabricadas de concreto armado cravadas em um solo composto basicamente de calcário e argila. Sua planta estrutural foi feita de concreto moldado in loco (exceto uma parte do depósito de resíduos que está abaixo do nível do solo), sendo capaz de suportar a superestrutura da cobertura, fachadas de tijolos, aços e vidros, e o maquinário da usina, composto pelo forno, caldeiras e sistema de tratamento de gases de combustão. Dentro do edifício é possível ver toda a estrutura secundária de sustentação composta por mais de 120 perfis de aço e caixas soldados entre si, sem contar as mais diversas vigas de concreto que podem chegar a 40 m de vão livre e possuir alturas que variam de 0,9 a 11,5 m.

Modelo de cálculo de elementos finitos da superestrutura de aço.
(Imagem cortesia de MOE Consulting Engineers).
Fonte: https://www.asce.org/cemagazine/creating-copenhill/
O reforço de aço exposto dentro do prédio da usina apresenta mais de 120 perfis diferentes de caixa soldada.
(Fotografia de Soren Aagaard, cortesia do BIG-Bjarke Ingels Group).
Fonte: https://www.asce.org/cemagazine/creating-copenhill/

Para Bjarke Ingels,CEO da BIG, esse é um projeto inovador que ainda vai trazer grandes benefícios à construção sustentável e ao mundo em si. Ele comenta que: “A CopenHill é uma expressão arquitetônica gritante de algo que de outra forma teria permanecido invisível: que é a usina de geração de energia mais limpa do mundo, uma usina elétrica. A CopenHill é tão limpa que conseguimos transformar sua massa de edifícios na base da vida social da cidade. Sua fachada é escalável, seu telhado é escalável e suas encostas são esquiáveis. Um exemplo claro que uma cidade sustentável não é apenas melhor para o meio ambiente, mas também mais agradável para a vida de seus cidadãos. “

E então, já está com as malas prontas para poder aproveitar esse monumento do mundo moderno sustentável? A usina de CopenHill é um grande passo no caminho da sustentabilidade pois une conceitos inovadores que estão se tornando cada vez mais presentes no nosso dia-a-dia, visto que, sua principal missão é transformar não só essa geração, mas todas aquelas que estão por vir e desejam sempre buscar um lugar melhor para viver. Partiu esquiar?

Por: Luann Martins.