Com o decorrente aumento do aquecimento global, provocado pelo acúmulo de gases poluentes na atmosfera, vem incentivando a engenharia civil a assumir um papel importante na busca crescente por inovações e por novas formas de construção visando a sustentabilidade. Dentro desse conceito, na década de 40, surge o Tijolo Ecológico ou Tijolo Modular.

PRODUÇÃO

Para fins construtivos de sustentação, a composição do Tijolo Ecológico (solo-cimento) consiste apenas de três agentes: água, cimento e solo. O mais importante é que o seu sistema de produção é realizado pelo processo de hidrocura, o qual não necessita de queima, não ocorrendo liberação de gás carbônico na atmosfera, diferentemente do tijolo cerâmico tradicional que devido a essa etapa produtiva ainda recorre a derrubada de árvores para obter lenha para queima nos fornos. De acordo com a Associação Nacional da Indústria de Tijolo Ecológico (ANITECO) a produção de 1.000 tijolos ecológicos evita a derrubada de 7 a 12 árvores de médio porte. Além disso, o solo utilizado em sua produção pode ser de qualquer composição mineralógica arenosa (exceto de matéria orgânica), permitindo a possibilidade de reaproveitamento, observando sempre o comportamento do material para estabelecer o traço ideal da mistura, a granulometria e o controle de qualidade através das Normas NBR12023:2012 e NBR12025:2012. 

SISTEMA CONSTRUTIVO E VANTAGENS

Devido ao controle de qualidade rigoroso e a produção qualificada, os tijolos modulares são uniformes, regulares e com nenhum defeito de fábrica, o que caracteriza seu sistema construtivo inteligente lego de encaixe. Portanto, gera-se uma economia expressiva, cerca de 50% de concreto e argamassa (não precisa de reboco) e de 70% de ferragens, visto que, para assentamento dos tijolos utiliza-se apenas da cola PVA e para rejunte resina a base de água. Além disso, as famosas caixarias, utilizadas em obras com tijolos cerâmicos tradicionais, não são necessárias, gerando economia de 90% de madeira.

O design modular com dois orifícios internos possibilita a passagem das tubulações hidráulicas e da fiação elétrica (conduítes podem ser suprimidos) dentro das paredes sem a necessidade de quebras, assim, o campo de obra ou da residência, no caso de uma reforma, são mais limpos e não ocorre desperdício de material. Ademais, com esse design, tem-se o isolamento térmico da obra pois os dois furos internos no centro acompanham toda a extensão estrutural fazendo com que o ar quente de dentro das paredes aquecidas pelo sol suba naturalmente e se dissipe, obtendo uma redução de até 6oC comparada com a temperatura externa. 

Além de todas essas vantagens mencionadas, ainda por cima sua resistência é 4 vezes maior que a do tijolo tradicional segundo a empresa Ecobloco. Ou seja, se optasse em sua obra ou em sua reforma utilizar o tijolo ecológico ao invés do tijolo cerâmico, você ganharia: mais resistência, modernidade e estética, rapidez, sustentabilidade, campo de obra limpo, conforto térmico e acústico, economia de 50% de concreto, 70% de ferragens, 90% de madeira, 50% do tempo de obra devido a praticidade do método construtivo e para finalizar redução de 40% do custo final da obra. Relembrando que a mão de obra deve ser especializada.

TIJOLOS INOVADORES

Já para fins de reaproveitamento de resíduos ou fibras naturais que seriam descartadas, existe uma outra categoria de Tijolo Ecológico, a qual em sua composição utiliza-se resíduos ao invés de solo, ou seja, consiste de três agentes: água, cimento e resíduos. Abaixo serão listadas algumas iniciativas inovadoras realizadas por Startups, Universidades e Engenheiras. 

A imagem acima remete a uma Startup estadunidense que transforma os resíduos plásticos encontrados nos oceanos em blocos de construção. Sua produção emite 95% menos gases poluentes que um bloco de concreto tradicional. Uma forma sustentável de limpar os oceanos e de protegê-los.

Bloco de construção feito com as cinzas de escombros, desenvolvido por duas engenheiras da região de Gaza. Uma forma de reaproveitar a enorme quantidade de matéria prima advinda dos escombros em uma região devastada pela guerra.

Projeto desenvolvido em parceria com as empresas Grey Brasil, Ecobrick e alunos da Universidade Federal de Minas Gerais. A ideia do projeto é aproveitar a grande quantidade de rejeitos, originados pelo rompimento da barragem, que se espalhou pela cidade de Mariana, transformando-os em tijolos ecológicos e ajudando na reconstrução da cidade.

A inovação utiliza o tereftalato de polietileno (PET) para substituir a areia na composição dos tijolos, ou seja, é uma forma de reciclar garrafas plásticas descartadas que demorariam cerca de 200 a 600 anos para degradar-se. Desenvolvido pela pesquisadora argentina Rosana Gaggino do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica (CONICET).

CONCLUSÃO

Tendo em vista todas as vantagens do Tijolo Ecológico abordadas nesse artigo, pode-se afirmar que este é mais vantajoso que o tijolo cerâmico tradicional. Além disso, vale ressaltar a sua importância com o meio ambiente e principalmente com a sustentabilidade. Portanto, o que está esperando para utilizar e/ou criar o seu próprio Tijolo Ecológico para sua próxima obra?

Escrito por: Saulo Bonetti Buogo.
Arte de capa por: Julio Akira Tanabe.

REFERÊNCIAS 

https://www.tijolosolocimento.com.br/2013/07/itens-opcionais.html

http://www.jornaldosudoeste.com.br/noticia.php?codigo=1951

https://www.decorfacil.com/tijolo-ecologico/

https://sustentarqui.com.br/tijolos-ecologicos-inovadores/

https://www.aniteco.org.br/tag/tijolos-ecologicos-deixam-a-construcao-mais-barata-e-mais-agil/

Para maiores informações, uma reportagem interessante da TV Globo (relembrando da importância da mão de obra).

https://globoplay.globo.com/v/5459969/