Localizada na China, a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau é conhecida não somente em razão do recorde de maior ponte marítima do mundo (cobrindo o assombroso número de 55 quilômetros de vão), mas também por representar um verdadeiro desafio para a engenharia moderna. Com duas ilhas artificiais e numerosos desafios ao longo dos 10 anos de sua construção, sua história e a engenharia envolvida são aspectos que valem a pena conferir.

Imagem: Ponte Hong Kong Zhuhai Macau.

O desafio

Toda a área de Zhuhai, Hong Kong e Macau é habitada por aproximadamente 75 milhões de pessoas, além de serem cidades bem desenvolvidas e de fundamental importância para a economia da China. O principal objetivo da obra era, além de facilitar a integração entre tais cidades, transformar a área em um amplo polo econômico com ênfase tecnológica, proporcionando também um crescimento nos mais diversos setores — como o industrial, o comercial e o turismo.

Contudo, o desafio era grande: um vão de 55 quilômetros, além de que próximo à área da ponte em Hong Kong havia um aeroporto, ou seja, a estrutura da construção não poderia ser muito elevada (inviabilizando completamente as principais soluções de pontes para grandes vãos: a ponte estaiada e a ponte pênsil).

O projeto e a construção

A fim de transformar esse sonho em realidade, foi desenvolvido o seguinte projeto: uma estrutura principal e mais longa medindo 27 quilômetros de extensão, transformando-se em um túnel subaquático por 6 quilômetros e retornando à superfície com mais 22 quilômetros de ponte, tais estruturas sendo conectadas por duas ilhas artificiais. O túnel submerso, por sua vez, também bateu o recorde de mais longo e mais profundo de sua categoria, chegando a 40 metros de profundidade no oceano. Foi utilizada a tecnologia BIM para a realização dos projetos da ponte, túnel e ilhas artificiais, o projeto foi praticamente todo realizado na plataforma Revit.

Imagem: Ilha artificial da ponte.

Construída majoritariamente em aço (aproximadamente 400 mil toneladas — 4,5 vezes mais que a Golden Gate nos Estados Unidos e equivalente a 60 torres Eiffel), foi projetada para resistir a rajadas de vento de até 200 km/h, super tufões, terremotos de magnitude 8 e até possíveis colisões com navios de carga pesando 300 mil toneladas.

Sua construção se iniciou em 2009 e tinha previsão de término em 2016, no entanto, sua inauguração se deu apenas em 2018 em razão de numerosos atrasos durante a execução, fazendo com que a monumental obra durasse quase uma década. A obra custou um total de US$20 bilhões, aproximadamente R$100 bilhões. 

Imagem: A ponte durante sua construção.

“A ponte atrás de mim foi construída por segmentos. As torres foram construídas em fábricas e então transportadas para cá, assim como os módulos do túnel subaquático e os trechos da rodovia. Pode parecer fácil nos dias de hoje, mas dez anos atrás, nós praticamente não tínhamos tecnologia nem equipamentos necessários para isso”, declarou em entrevista Jing Qiang, vice-diretor do departamento de engenharia responsável pela obra. A equipe de engenharia afirma que a obra foi projetada para funcionar pelo menos pelos próximos 120 anos.

A construção não foi totalmente chinesa. Envolveram-se na obra especialistas do Reino Unido, Japão, Brasil e pelo menos outros 10 países. 

A travessia na ponte

Com velocidade máxima permitida de 100 km/h e um total de 6 faixas, 3 em cada sentido, a travessia na ponte não é aberta ao público de forma geral. Os motoristas que desejam cruzar a ponte com seus próprios carros devem adquirir licenças especiais. O transporte público também não realiza a travessia, apenas ônibus privados.

A travessia que anteriormente levava horas é feita agora em aproximadamente 30 minutos. Estima-se que aproximadamente 60 mil automóveis e 250 mil pessoas trafegam na ponte diariamente. Uma curiosidade interessante é que, na ponte, os automóveis dirigem à esquerda, enquanto no restante da China se dirige à direita.

Imagem: Saída e entrada de veículos no túnel localizado na ilha artificial.

Considerações políticas e ambientais

A monumental obra gerou controvérsias nos mais diversos âmbitos. Segundo o jornal Hong Kong Free Pass, a ponte foi uma tentativa implícita do Estado chinês de conquistar controle sobre sua antiga colônia, agora província semi-autônoma de Hong Kong. Outras críticas foram a respeito da baixa demanda da sociedade por uma ligação entre as cidades.

Outrossim, a sociedade internacional se atentou ao perigo ambiental que a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau representa. De acordo com a CNN, “embora seja um feito impressionante de engenharia, a construção trouxe suas próprias controvérsias. O Delta do Rio das Pérolas é o lar de uma população chinesa de golfinhos ameaçada de extinção que tem sido golpeada por esforços maciços de recuperação de terras em Hong Kong e outras cidades”. 

Referências Bibliográficas

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/10/23/os-numeros-que-revelam-a-grandiosidade-da-maior-ponte-maritima-do-mundo-inaugurada-na-china.ghtml

https://marsemfim.com.br/ponte-hong-kong-zuhai-macau/

https://engenharia360.com/5-obras-chinesas-que-vao-te-surpreender-lista-360/

https://www.dw.com/pt-002/hongkong-macau-zhuhai-a-maior-ponte-do-mundo-sobre-o-mar/g-46002278

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/10/maior-ponte-maritima-do-mundo-mostra-dominio-de-pequim-sobre-antiga-colonia.shtml

https://www.youtube.com/watch?v=_kQ_CrKoU7k&t=1s&ab_channel=CGTN

Escrito por: Giovanna Maria Pires de Moura.

Arte da capa por: Giovanna Maria Pires de Moura.